Síndrome do Olho Seco (Dry Eye)
É uma doença bastante comum, sendo causada por uma redução na qualidade e/ou quantidade do filme lacrimal, a película da lágrima que mantém nossos olhos úmidos e hidratados.
É patologia multifatorial e complexa, tendo frequentemente inúmeras causas, entre elas: fatores ambientais (ar seco, vento, ar condicionado, uso excessivo de leitura ou computadores - causando redução na frequência do piscar, fatores hereditários, dieta, uso de medicamentos (antidepressivos, anti-histamínicos) e doenças associadas (Síndrome de Sjogran, artrite reumatóide, doenças reumatológicas).
Os sintomas são bastante variados, sendo comum: ardência, coceira, dor ocular, hiperemia ocular (olhos vermelhos), redução na qualidade visual (embaçamento visual) e mesmo lacrimejamento.
O diagnóstico é feito através da biomicroscopia, associado, quando preciso, ao uso de colírios especiais (fluoresceína, rosa bengala, lissamina verde) ou exames complementares. O tratamento depende da causa e severidade do olho seco, sendo realizado com orientações gerais, e uso de colírios lubrificantes. Ocasionalmente usa-se também colírios antinflamatórios, imunomodeladores ou implante de plug lacrimal.
O principal tratamento consiste em uso de colírios lubrificantes para manter os olhos hidratados.
Em casos selecionados, podem ser implantados plugs lacrimais no canalículo lacrimal (local de saída da lagrima), para que ocorra a retenção desta, mantendo os olhos mais hidratados. Esses implantes são feitos no consultório, de forma rápida, fácil e indolor.
Ceratocone
A córnea normalmente é uma estrutura transparente e regular, o que permite que os raios de luz atravessem de forma uniforme e cheguem focados na retina, proporcionando uma visão com nitidez.
O ceratocone é uma doença não inflamatória da córnea, na qual ela apresenta uma rigidez reduzida do colágeno corneano, causando afinamento e perda da sua regularidade, o que gera um astigmatismo irregular e visão embaçada.
O ceratocone geralmente surge na adolescência ou em adultos jovens, e pode ser progressivo. A progressão normalmente é lenta, mas pode haver períodos de piora rápida. Não é possível prever quais pacientes irão progredir, nem a velocidade desta progressão.
A doença afeta os dois olhos em cerca de 90% dos casos, mas geralmente é assimétrica. As causas ainda não são totalmente conhecidas, mas provavelmente tem origem genética. É muito frequente que as pessoas que apresentam ceratocone tenham o hábito de coçar os olhos de forma crônica (por exemplo, conjuntivite alérgica). Este hábito causa um aumento na fragilidade corneana, pois estimula a produção de enzimas na córnea que reduzem sua resistência, sendo portanto terminantemente desencorajado.
Em sua fase inicial, o ceratocone pode ser quase assintomático, porém à medida em que vai progredindo, nota-se uma redução na qualidade da visão, pois devido ao encurvamento e afinamento corneano gera-se miopia e astigmatismo. Ocasionalmente o paciente pode ser hipermetrope.
Diagnóstico
O Instituto de Oftalmologia do Vale (IOV) dispõe do equipamento mais moderno e preciso para o diagnóstico e acompanhamento do Ceratocone, o aparelho de Tomografia Computadorizada da Córnea OCULUS- PENTACAM AXL ( Alemanha). Este aparelho permite não só a avaliação da curvatura anterior da córnea, como também a sua curvatura posterior, espessura e dados de elevação. Através de cálculos matemáticos, o seu software permite a avaliação de todas as estruturas corneanas, facilitando o diagnóstico e análise de progressão do ceratocone.
Tratamentos
Lentes de Contato
Na sua fase inicial, o ceratocone causa pouco astigmatismo irregular, possibilitando uma boa acuidade visual com o auxílio de óculos ou lentes de contato gelatinosas.
No estágio moderado da doença, faz-se necessário o uso de lentes de contato especiais para que se consiga uma boa qualidade de visão.
O uso de lentes bem adaptadas não prejudica a córnea nem o ceratocone, mas também não impede a sua progressão.
Existem vários modelos e desenhos de lentes de contato, que são determinados para cada caso individualmente, com base no aspecto morfológico e magnitude do ceratocone e com testes de prova das lentes.
As mais frequentemente usadas são as lentes gás-permeáveis de desenho esférico ou asférico, mas em casos avançados pode ser necessário lentes com desenho bicurvo ou policurvo, que acompanham melhor a curvatura do cone, permitindo melhor centralização, conforto e nitidez visual.
Em casos especiais, quando há intolerância à lente, pode-se utilizar lentes gelatinosas com desenhos especiais ou lentes em sistema Piggyback (uma lente gás-permeável sobre uma lente gelatinosa).
Cross Linking (CXL)
O Cross Linking do colágeno corneano é o único tratamento comprovadamente eficaz em evitar a progressão do ceratocone.
O tratamento consiste em expor a córnea à luz UVA associado a uma aplicação de colírio de riboflavina (Vitamina B2), o que leva a uma indução de ligações covalentes entre as moléculas, desta forma fortalecendo as fibras de colágeno corneano (que representam as pontes de sustentação da córnea). Assim, há um aumento na rigidez da córnea, deixando-a mais firme.
Usamos um dos mais modernos aparelhos de Cross Linking do mercado. Este equipamento dispõe de sistema de vídeo integrado para controle da fixação e LEDs para uma perfeita análise de centralização e distância focal, além de uma emissão luminosa estável e homogênea. Seu grande diferencial é que permite a aplicação de luz UVA necessária para o fortalecimento da córnea em apenas 8 minutos, ao invés de 30 minutos necessários nos aparelhos tradicionais, o que gera mais conforto e rapidez ao procedimento.
Indicações
• Ceratocones em evolução grau I a III.
• Degeneração marginal polúcida em evolução.
• Ectasias corneanas pós cirurgia refrativa.
Contra Indicações
• Córneas muito finas (espessura corneana < 400 µm).
• Cicatrizes corneanas centrais densas.
O Tratamento
O tratamento é realizado com anestesia tópica (colírio anestésico), de forma ambulatorial. É indolor e muito seguro. É removido o epitélio (camada superficial) da córnea, para que a Riboflavina (Vitamina B2) em forma de colírio possa penetrar na córnea. Em seguida, pinga-se este colírio por 30 minutos. Logo a seguir, aplica-se a luz UVA por 8 minutos. Após, coloca-se uma lente de contato terapêutica que será removida entre 5-7 dias, após a reepitelização corneana.
A Recuperação
O paciente deverá usar colírios antibióticos e antiinflamatórios por algumas semanas. Nos primeiros dias é comum um desconforto leve e ardência ocular. A recuperação visual é gradativa, tornando-se estável geralmente após 30 dias. Importante observar que o Cross Linking estabiliza o ceratocone, mas nem sempre há uma melhora da acuidade visual, portanto geralmente é necessário continuar usando óculos ou lentes de contato após o procedimento, visando obter visão mais nítida. O tratamento é realizado de forma única (uma vez somente) e seu resultado dura vários anos. Até o momento não há estudos que indiquem a necessidade de repetir-se o procedimento, porém não pode-se descartar completamente uma eventual repetição do tratamento após alguns anos em pacientes muito jovens.
Anel Intracorneal (Anel de Ferrara)
O anel intracorneal é uma órtese semicircular transparente e ultrafina de cerca de 5mm de diâmetro, confeccionada de acrílico, que é o mesmo material usado em algumas lentes intraoculares. É perfeitamente tolerado, não havendo o risco de rejeição.
O anel é indicado em pacientes com ceratocone em evolução de qualquer faixa etária, intolerantes a lentes de contato e com córneas bastante irregulares.
A cirurgia tem finalidade ortopédica, ou seja, o anel é implantado a uma profundidade de 80% de espessura, no estroma corneano, desta forma alterando a curvatura corneana, reduzindo sua irregularidade e melhorando a visão.
A cirurgia também pode ser indicada em ectasias corneanas pós-Lasik, astigmatismo irregular pós transplante de córnea e degeneração pelúcida.
A cirurgia é feita com anestesia local, é rápida (dura cerca de 30 minutos) e indolor.
É uma técnica cirúrgica reversível, permitindo portanto que os anéis sejam removidos futuramente, em caso de correções inadequadas, sem qualquer prejuízo para a córnea. A cirurgia também não impede ou prejudica o transplante de córnea, na eventualidade de vir a ser necessário.
A recuperação visual é rápida. A estabilização visual ocorre após o terceiro mês.
A melhora visual ocorre devido à redução do astigmatismo irregular corneano, e é variável para cada paciente. Os melhores casos são em córneas não muito finas (>400 µm) e curvaturas menores que 55 dioptrias.
Na maioria dos casos, é necessário o uso de óculos ou a readaptação de novas lentes de contato para melhorar ainda mais a visão.
CERATITE
A ceratite é uma doença inflamatória da córnea, podendo ser causada por agentes infecciosos (vírus, bactérias ou fungos), alérgicos (ceratoconjuntivite alérgica), traumáticos ou tóxicos (ceratite por ressecamento corneano, uso de lentes de contato, uso de colírios, entre outros).
As ceratites podem ser superficiais em suas formas leves, porém em casos severos podem evoluir para ulcera corneana com perda de tecido cornenano, causando leucomas (cicatrizes) na córnea, com redução importante da visão. Em raros casos, pode haver perfuração da córnea.
Os sintomas incluem dor e ardência ocular, secreção, fotofobia e visão turva.
O diagnostico é feito no exame oftalmológico, com os equipamentos adequados.
O tratamento varia, dependendo do agente causador (etiologia), mas geralmente, nos casos leves consiste em uso de colírios antibióticos , anti-inflamatórios ou lubrificantes.
Em casos graves, pode ser necessário cirurgia na córnea.
CONJUNTIVITE
A conjuntivite é uma doença inflamatória da conjuntiva ocular, causada por agentes infecciosos (bactérias ou vírus), alérgicos ou tóxicos.
Os sintomas geralmente são: olhos vermelhos, secreção ocular, fotofobia e visão turva.
O diagnóstico somente é feito de forma correta com os exames oftalmológicos, sendo importante diferenciar o agente causador da conjuntivite, pois alguns colírios vendidos de forma corriqueira nas farmácias ou prescritos por médicos não oftalmologistas podem agravar alguns tipos de conjuntivite, sendo contraindicados (por exemplo, uso de colírio com corticoide em conjuntivite viral).
O tratamento geralmente é feito com colírios antibióticos, anti-inflamatórios ou antialérgicos, dependendo do agente etiológico.
Hordéolo (Terçol) e Calázio
O hordéolo (popularmente conhecido como terçol) é um processo inflamatório e/ou infeccioso das glândulas especializadas que possuímos na borda palpebral. Geralmente ocorre pela obstrução e proliferação bacteriana destas glândulas, gerando um pequeno abcesso palpebral. A lesão localiza-se na borda palpebral, com uma área hiperemiada, sensível e dolorida, podendo ou não ocorrer secreção. O hordéolo tratamento geralmente consiste em compressas mornas associadas a colírios antibiótico e/ou anti-inflamatórios. Em alguns casos recomenda-se a drenagem cirúrgica do abcesso, que é feita com anestesia local. O calázio é um processo inflamatório crônico das glândulas de Meibômio, localizadas na borda palpebral. Geralmente consiste numa lesão nodular elevada, indolor e dura ao toque, na borda palpebral. O tratamento clínico é similar ao do hordéolo, sendo que se não desaparecer desta maneira indica-se a drenagem cirúrgica.
PTERÍGIO
O pterígio é uma doença da conjuntiva em que ocorre o crescimento de tecido fibrovascular por cima da córnea, causando também uma tração sobre o tecido conjuntival.
A etiopatogenia é uma provável mutação das células do limbo (região entre a córnea e a conjuntiva), causada por exposição à luz ultravioleta (radiação solar).
O pterígio pode causar diversos sintomas: ardência, irritação, lacrimejamento, sensação de corpo estranho.
Nos casos avançados pode causar distorção da córnea, com consequente astigmatismo irregular e piora da visão.
O tratamento do pterígio na sua fase inicial é clinico, com colírios lubrificantes e vasoconstritores para aliviar os sintomas.
Nos casos moderados e /ou avançados, pode-se recomendar a cirurgia.
Existem diversas técnicas cirúrgicas, com diferentes taxas de recidiva (chance de volta do pterígio)
Recomendamos a técnica de pterigioplastia com transplante de conjuntiva e células límbicas, pois é a que apresenta menor chance de recidiva e maior índice de sucesso.
A cirurgia é feita com anestesia tópica (colírios) em regime ambulatorial.
Uveíte
A uveíte é uma doença inflamatória que acomete a úvea (camada intermediária do olho, compreendendo a íris, corpo ciliar e coroíde). A uveíte pode ser anterior, intermediária ou posterior, dependendo da região uveal afetada. A uveíte pode ser causada por:
•Infecções oculares (virais, bacterianas ou fungicas);
• Doenças reumatológicas ou autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus, eritematoso, sistêmico, espondilite anquilosante, sarcoidose, entre outros.
• Doenças sistêmicas como tuberculose, sífilis, toxoplasmose, herpes.
• Doenças neoplásicas como leucemia e linfomas.
• Idiopática (quando não se conhece a causa exata da uveíte).
Os sinais e sintomas da uveíte são muitos variados: hiperemia ocular (olho vermelho), dor ocular, fotofobia, visão turva, escotomas e moscas volantes. O tratamento da uveíte depende do tipo, severidade e da etiologia (causa) da doença, podendo variar de colírios anti-inflamatórios e/ou antibióticos até tratamento anti-inflamatório e/ou antibiótico via oral ou imunomoduladores.